06 janeiro 2009

Mancais

Os mancais são utilizados para reduzir o atrito e servir de apoio a todas as peças
giratórias de um automóvel, sejam estas eixos ou rodas sobre eixos.
Os mancais dividem-se em dois tipos principais: os lisos – que englobam os
formados por duas meias buchas, capas, ou bronzinas, e as buchas – e os
rolamentos, que podem ser de esferas, de roletes ou de agulhas.
Mancais de duas meias-buchas – Um apoio para peças giratórias, quando
constituído por duas partes iguais, para facilidade de montagem, é designado por
mancal de duas meias buchas. Estes são de metal antifricção e também designados
por capas ou bronzinas.




Mancais de duas meias-buchas desmontáveis – As bronzinas do virabrequim são
formados por duas partes iguais de aço revestido com metal antifricção. As
bronzinas apresentam um sulco que permite a passagem de óleo para as bronzinas
das cabeças das bielas através do virabrequim.
Cada bronzina tem forma semicircular e consiste numa carcaça de aço, revestida
interiormente por uma liga de metal macio, com propriedades para reduzir o atrito.
Os mancais de apoio do virabrequim estão alojados no bloco, situando-se os da
biela nas cabeças das mesmas
As bronzinas devem ter um sólido e perfeito contato no seu alojamento nos
mancais, não só para garantir o seu apoio, como também para que o calor gerado
pela fricção se dessipe da bronzina, por condução evitando assim o sobreaquecimento.
O revestimento interior da capa pode ser composto por várias ligas
metálicas, como por exemplo, o metal branco, a liga de cobre-chumbo ou estanhoalumínio.
Uma das extremidades do virabrequim está submetida ao impulso proveniente da
pressão da embreagem e, em alguns casos, da reação resultante das engrenagens
que movem os órgãos auxiliares. Se este impulso não fosse controlado causaria
deslocamentos axiais no virabrequim o que, além de originar ruídos, provocaria
desgastes. Para eliminar tal inconveniente, um dos apoios do virabrequim é
rodeado por arruelas axiais de encosto, normalmente conhecidas por meias-luas do
virabrequim, constituídas por finos segmentos de aço revestidos de metal
antifricção, que mantém o virabrequim na sua posição, anulando por encosto
qualquer reação evidente à deslocação axial.
Uma bomba faz com que o óleo circule, sob pressão, por uma série de canais
existentes no bloco e penetre nos mancais do virabrequim através de um orifício
aberto em cada bronzina. Este orifício comunica com um sulco existente em torno
da face interior da bronzina, através do qual o óleo é distribuído.
Parte do óleo sob pressão penetra pelos furos abertos no virabrequim e lubrifica os
mancais das bielas. A folga entre o eixo e os apoios, que nunca deve exceder 0,1
mm, variando para menos conforme o fabricante, regula a circulação de óleo e, em
grande parte, a quantidade de óleo impulsionada para os pistões e cilindros.
O orifício por onde penetra o óleo que lubrifica um mancal situa-se próximo do
ponto onde a pressão exercida sobre esta é mínima, isto é, no local onde é maior a
folga entre o mancal e o eixo. Ao rodar, o eixo arrasta o óleo em volta do mancal
formando um calço de óleo. A pressão autogerada no calço de óleo é bastante
superior à pressão resultante da ação da bomba de óleo nas tubulações de
alimentação, evitando assim o contato das superfícies metálicas entre si, mesmo
quando o mancal é sujeito a elevadas cargas.
Mancais de bucha cilíndrica – Os mancais lisos, quando constituídos por um cilindro
formado por uma só peça, são designados simplesmente por buchas. São
utilizados, por exemplo, nos balancins e nos pés das bielas
As buchas mais simples são totalmente fabricadas do mesmo metal ou liga,
normalmente o bronze. A bucha é montada com interferência, ou seja, introduzida
sob pressão no seu alojamento. Se a alimentação de óleo não for suficiente, a
bucha cilíndrica pode ser revestida com uma matéria plástica como, por exemplo o
teflon. Em certos casos, são utilizadas buchas de metal poroso e outros materiais
anti fricção.
Rolamentos – Os rolamentos de esferas, de roletes ou de agulhas são, entre todos
os apoios, o de menor coeficiente de atrito sendo, no entanto, também os de preço
mais elevado. São utilizados em órgãos auxiliares dos motores de automóveis como
a bomba de água e o alternador e, em alguns motores de competição como
também em sistemas de transmissão para árvores de comando no cabeçote.

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