09 janeiro 2009

Carburação

A depressão originada nos cilindros, quando os pistões descem no tempo de
admissão, aspira o ar para os cilindros. Este atravessa o carburador, sendo a sua
quantidade regulada por uma válvula rotativa, designada por borboleta, que se
abre ou fecha-se, conforme a pressão exercida sobre o acelerador.
A quantidade de ar aspirado depende da rotação do motor e da posição da
borboleta. A função do carburador consiste em assegurar que à corrente de ar se
junte a um determinado volume de gasolina para que chegue aos cilindros uma
mistura correta.
A gasolina, proveniente da cuba de nível constante, junta-se à corrente de ar numa
passagem estreita denominada difusor, ou cone de Venturi, cujo funcionamento se
baseia no princípio de que a pressão de uma corrente de ar diminui quando a sua
velocidade aumenta. Quando o ar passa através do estrangulamento do difusor, a
sua velocidade aumenta, sendo precisamente nessa zona de baixas pressões que a
gasolina é aspirada pela corrente de ar.
O fluxo do ar será o máximo quando o motor trabalhar à velocidade máxima, com a
borboleta completamente aberta. Quanto maior for a velocidade do ar que passa
pelo difusor, maior será a aspiração de gasolina.


Na prática, um carburador, tão simples como o acima descrito, não seria
satisfatório pois a gasolina e o ar não têm as mesmas características de fluxo.
Enquanto a densidade do ar diminui à medida que a velocidade do seu fluxo
aumenta, a densidade da gasolina mantém-se constante qualquer que seja a
velocidade do seu fluxo. Como a mistura gasosa, para ter uma combustão eficiente,
deve forma-se em relação ao seu peso, numa proporção aproximada de 15:1 e,
dado que aumentando a velocidade do ar, diminuiria a sua densidade, a mistura iria
enriquecendo progressivamente, podendo tornar-se tão rica que não chegaria a
inflamar-se.
Existem dois processos para solucionar este problema; num carburador de difusor e
jatos fixos, um certo volume de ar mistura-se com a gasolina antes de esta passar
para o difusor através de um conjunto de tubos emulsionadores ou de
compensadores.
Já num carburador de difusor e jatos variáveis, podem variar-se a quantidade de
gasolina debitada pelo pulverizador, bem como as dimensões do difusor para
manter as corretas proporções de ar e gasolina.
A gasolina na cuba de nível constante do carburador mantém-se sempre ao mesmo
nível, graças a uma válvula acionada pela bóia. A extremidade do condutor de
gasolina que desemboca no difusor deve ficar mais alta que o nível da gasolina na
cuba de nível constante para evitar á saída de combustível quando o automóvel se
inclina, como acontece, por exemplo, numa subida ou descida. Isto quer dizer que
a gasolina tem de subir ligeiramente – cerca de 6mm – antes de se misturar com o
fluxo do ar no difusor. A sucção criada pela depressão é suficiente para elevar a
gasolina acima do pulverizador e para introduzi-la no difusor sob forma de
pequenas gotas.
Além de aspirar a gasolina e o ar, o sistema de carburação deve também pulverizar
a gasolina, misturá-la perfeitamente com o ar e distribuir a mistura de maneira
uniforme pelos cilindros. A gasolina apresenta-se já sob a forma de pequenas gotas
quando entra no difusor. Num carburador de difusor e jatos fixos é prévia e
parcialmente emulsionada com o ar; já num carburador de difusor e jatos variáveis
a divisão em pequenas gotas ocorre no difusor e é provocada pela velocidade da
corrente de ar.
Quando a mistura gasosa passa pela borboleta, penetra no coletor por influência da
depressão resultante da sucção do pistão, tendo início a vaporização das gotículas
de gasolina. A velocidade da vaporização depende do valor da depressão no coletor
de admissão que, por si, depende da rotação do motor e da posição da borboleta.
A grande velocidade, quando a borboleta se encontra totalmente aberta, a
depressão poderá ser de valor tão baixo que grande parte da gasolina permanecerá em estado líquido e será transportada pelo ar ou escorrerá ao longo das paredes do
coletor. À velocidade cruzeiro, com a borboleta parcialmente fechada, a depressão
aumenta, pelo que a maior parte da gasolina ficará vaporizada. Nos motores em
que existe um carburador para cada cilindro, o fato da mistura se encontrar
parcialmente no estado líquido é irrelevante, pois esta irá vaporizar-se na câmara
de explosão pela ação do calor. Porém, quando só um carburador alimenta vários
cilindros, a distribuição uniforme é fundamental, mas difícil se a mistura estiver
úmida. Elevando a temperatura do coletor de admissão por meio de um “ponto
quente”, aquecido pelos gases de escapamento ou por água, consegue-se uma
melhor vaporização da gasolina e, portanto, uma distribuição mais uniforme da
mistura.

Um comentário:

Anônimo disse...

Para os carros do Brasil, é possivel checar o carburador olhando a tabela online:

http://gicle.ilax.com.br

Espero ter ajudado.